A primeira mulher italiana a vir para o
Brasil teria sido a imperatriz Teresa Maria Cristina, mulher de Dom Pedro
II e mãe da princesa Isabel. A napolitana nascida Princesa Bourbon das
Duas Sicílias desembarcou no País em 4 de setembro de 1843, ano seguinte
da assinatura do seu contrato de casamento.
Entre os primeiros
italianos no Brasil, destacam-se ainda o médico e jornalista Líbero
Badaró, que teve grande influência no processo de proclamação da
república, e Giuseppe Garibaldi, que em 1835 já começava a lutar na
Revolução Farroupilha.
O movimento de
migração em massa na Itália começou por volta de 1860, quando os italianos
se mudavam para outros países europeus. Uma década depois, eles começaram
a migrar para a América, principalmente para os Estados Unidos, Argentina
e Brasil.
A crise vivida pela
Itália e a idéia de que o Novo Mundo poderia oferecer uma vida melhor
motivaram muitos cidadãos a migrarem. Do inicio do século XIX até a década
de 30, dez milhões de italianos deixaram o país.
No Brasil, por volta
de 1870, havia denúncias sobre a chegada de imigrantes ilegais de várias
nacionalidades, inclusive italianos. A princípio, as críticas eram com
relação aos custos gerados por eles. Logo, porém, a falta de iniciativa do
governo para ordenar a questão passou a ser o ponto mais debatido. Já
surgiam correntes que defendiam a regulamentação da imigração.
Em 1875 o governo
brasileiro oficializou a vinda de imigrantes. Homens e mulheres de mais de
60 países desembarcavam em busca de uma vida melhor. Muitos se
estabeleciam na então Província de São Paulo, mas a maioria dos italianos
se dirigia para o sul do País.
O primeiro italiano a
ser registrado no antigo serviço de imigração da rua Visconde de Parnaíba
foi Caetano Pozzi, que desembarcou no porto de Santos em 17 de janeiro de
1882 junto com seus parentes e outras 5 famílias vindas da Itália. Pozzi
chegou ao Brasil com 30 anos e foi para o interior de São Paulo. Ele
morreu em 1929 deixando 76 netos.
Mas só em 1888 a
imigração italiana para o Brasil foi oficializada. Brasil e Itália
firmaram convênio para a vinda de imigrantes daquele país. O fazendeiro e
deputado Martinho Prado Júnior e o Visconde de Parnaíba foram importantes
para que as duas nações firmassem acordo.
No Brasil, o interesse
em receber mão-de-obra era grande. As lavouras de café se expandiam e os
movimentos abolicionistas culminaram, justamente em 1888, com a abolição
da escravatura. Na época, muito se discutia sobre como substituir o
trabalho escravo.
Uma das possibilidades
cogitadas foi a importação de chineses, os "coolies", mas a idéia foi
abandonada. Seria apenas uma nova forma de escravidão. Houve ainda quem
cogitasse seriamente o treinamento de macacos na colheita do café. Por
fim, a imigração espontânea de europeus, principalmente italianos, foi a
solução encontrada para o problema da mão-de-obra.
Ficou acertado que os
italianos que viesse para o Brasil poderiam se dedicar à sua
especialidade. O governo italiano incentivava a migração, inclusive
subsidiando a viagem. Os desempregados tinham prioridade para embarcar.
O Brasil, em
contrapartida, prometia aos imigrantes um lote de terra e bons salários.
Não demorou para que os recém-chegados se decepcionassem.
A viagem de até 30
dias da Itália para o porto de Santos já era ruim. Os imigrantes vinham na
terceira classe, nos porões dos navios. Havia superlotação, a comida era
ruim e não havia assistência médica. Muitos morriam ainda na viagem.
No início, o governo
recebia os imigrantes em alojamentos provisórios. Em 1882 foi inaugurada
uma hospedaria, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Mas o local era
pequeno e lá proliferavam doenças. Foi necessário começar a construir um
novo local que atendesse à demanda de estrangeiros.
Em junho de 1887
começou a funcionar a Hospedaria do Imigrante, com capacidade para 1200
imigrantes. Houve casos em que se registrou a presença de 6 mil pessoas
alojadas. Em 91 anos de atividade, o local acomodou quase três milhões de
pessoas. Hoje, o complexo abriga o Museu da Imigração.
Na nova Hospedaria, os
imigrantes eram informados sobre o regulamento interno - impresso em seis
idiomas -, recebiam refeições diárias e tinham acesso aos dormitórios, com
divisões para famílias e solteiros.
Apesar da melhoria na
chegada, era preciso ainda aprimorar o tratamento no trabalho. No início,
os imigrantes eram tratados como escravos, alguns chegaram a dormir nas
senzalas. Isso porque os fazendeiros demoraram algum tempo a se acostumar
com o novo sistema de trabalho.
No estado de São Paulo
a situação era melhor do que na maior parte do País. Com o que ganhavam
nas colheitas, alguns imigrantes puderam juntar dinheiro para adquirir
terras e até mesmo para se mudar para a capital.
E foram o dinheiro e o
espírito empreendedor de alguns desses imigrantes italianos que ajudaram a
cidade de São Paulo a se desenvolver industrialmente.
Em 1900 imigrantes
começaram a montar fábricas na capital, quase sempre no bairro do Brás,
que por décadas foi um reduto italiano. Os Matarazzo e os Crespi foram os
primeiros grandes industriais de São Paulo. Eles constituíram o grupo dos
"condes italianos", título que mantiveram por décadas.