Imigração Italiana no Brasil

 

Ao chegar no Brasil, as famílias aguardavam seu destino na Hospedaria do Imigrante. Aqui, foto do início do século XX.

Foto: Arquivo/AE

 

 

Em 1530 a frota de Martim Afonso trazia os primeiros italianos de que se tem notícia no Brasil: os Adorno, uma nobre família genovesa. Vieram três irmãos - Giuseppe, Francesco e Paolo Adorno. Paolo casou-se na Bahia com uma filha de Diogo Alvares, o Caramuru. Giuseppe, que logo mudou seu nome para José, morreu com mais de 100 anos depois de enriquecer com engenhos de turmalinas e até defender o território brasileiro na invasão dos franceses.

 

A primeira mulher italiana a vir para o Brasil teria sido a imperatriz Teresa Maria Cristina, mulher de Dom Pedro II e mãe da princesa Isabel. A napolitana nascida Princesa Bourbon das Duas Sicílias desembarcou no País em 4 de setembro de 1843, ano seguinte da assinatura do seu contrato de casamento.

Entre os primeiros italianos no Brasil, destacam-se ainda o médico e jornalista Líbero Badaró, que teve grande influência no processo de proclamação da república, e Giuseppe Garibaldi, que em 1835 já começava a lutar na Revolução Farroupilha.

O movimento de migração em massa na Itália começou por volta de 1860, quando os italianos se mudavam para outros países europeus. Uma década depois, eles começaram a migrar para a América, principalmente para os Estados Unidos, Argentina e Brasil.

A crise vivida pela Itália e a idéia de que o Novo Mundo poderia oferecer uma vida melhor motivaram muitos cidadãos a migrarem. Do inicio do século XIX até a década de 30, dez milhões de italianos deixaram o país.

No Brasil, por volta de 1870, havia denúncias sobre a chegada de imigrantes ilegais de várias nacionalidades, inclusive italianos. A princípio, as críticas eram com relação aos custos gerados por eles. Logo, porém, a falta de iniciativa do governo para ordenar a questão passou a ser o ponto mais debatido. Já surgiam correntes que defendiam a regulamentação da imigração.

Em 1875 o governo brasileiro oficializou a vinda de imigrantes. Homens e mulheres de mais de 60 países desembarcavam em busca de uma vida melhor. Muitos se estabeleciam na então Província de São Paulo, mas a maioria dos italianos se dirigia para o sul do País.

O primeiro italiano a ser registrado no antigo serviço de imigração da rua Visconde de Parnaíba foi Caetano Pozzi, que desembarcou no porto de Santos em 17 de janeiro de 1882 junto com seus parentes e outras 5 famílias vindas da Itália. Pozzi chegou ao Brasil com 30 anos e foi para o interior de São Paulo. Ele morreu em 1929 deixando 76 netos.

Mas só em 1888 a imigração italiana para o Brasil foi oficializada. Brasil e Itália firmaram convênio para a vinda de imigrantes daquele país. O fazendeiro e deputado Martinho Prado Júnior e o Visconde de Parnaíba foram importantes para que as duas nações firmassem acordo.

No Brasil, o interesse em receber mão-de-obra era grande. As lavouras de café se expandiam e os movimentos abolicionistas culminaram, justamente em 1888, com a abolição da escravatura. Na época, muito se discutia sobre como substituir o trabalho escravo.

Uma das possibilidades cogitadas foi a importação de chineses, os "coolies", mas a idéia foi abandonada. Seria apenas uma nova forma de escravidão. Houve ainda quem cogitasse seriamente o treinamento de macacos na colheita do café. Por fim, a imigração espontânea de europeus, principalmente italianos, foi a solução encontrada para o problema da mão-de-obra.

Ficou acertado que os italianos que viesse para o Brasil poderiam se dedicar à sua especialidade. O governo italiano incentivava a migração, inclusive subsidiando a viagem. Os desempregados tinham prioridade para embarcar.

O Brasil, em contrapartida, prometia aos imigrantes um lote de terra e bons salários. Não demorou para que os recém-chegados se decepcionassem.

A viagem de até 30 dias da Itália para o porto de Santos já era ruim. Os imigrantes vinham na terceira classe, nos porões dos navios. Havia superlotação, a comida era ruim e não havia assistência médica. Muitos morriam ainda na viagem.

No início, o governo recebia os imigrantes em alojamentos provisórios. Em 1882 foi inaugurada uma hospedaria, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Mas o local era pequeno e lá proliferavam doenças. Foi necessário começar a construir um novo local que atendesse à demanda de estrangeiros.

Em junho de 1887 começou a funcionar a Hospedaria do Imigrante, com capacidade para 1200 imigrantes. Houve casos em que se registrou a presença de 6 mil pessoas alojadas. Em 91 anos de atividade, o local acomodou quase três milhões de pessoas. Hoje, o complexo abriga o Museu da Imigração.

Na nova Hospedaria, os imigrantes eram informados sobre o regulamento interno - impresso em seis idiomas -, recebiam refeições diárias e tinham acesso aos dormitórios, com divisões para famílias e solteiros.

Apesar da melhoria na chegada, era preciso ainda aprimorar o tratamento no trabalho. No início, os imigrantes eram tratados como escravos, alguns chegaram a dormir nas senzalas. Isso porque os fazendeiros demoraram algum tempo a se acostumar com o novo sistema de trabalho.

No estado de São Paulo a situação era melhor do que na maior parte do País. Com o que ganhavam nas colheitas, alguns imigrantes puderam juntar dinheiro para adquirir terras e até mesmo para se mudar para a capital.

E foram o dinheiro e o espírito empreendedor de alguns desses imigrantes italianos que ajudaram a cidade de São Paulo a se desenvolver industrialmente.

Em 1900 imigrantes começaram a montar fábricas na capital, quase sempre no bairro do Brás, que por décadas foi um reduto italiano. Os Matarazzo e os Crespi foram os primeiros grandes industriais de São Paulo. Eles constituíram o grupo dos "condes italianos", título que mantiveram por décadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No final do século XIX o governo brasileiro distribuía vários folhetos naItália para chamar imigrantes.

Foto: Arquivo/AE

 

 

 

 

 

Dormitório da Hospedaria do Imigrante em 1910. Nas baias dormiam as mulheres e crianças e nas camas em frente, os homens. Foto: Reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Imperatriz Teresa Cristina em quadro de Francisco Franco Sá pintado entre 1840 e 1850. Foto: Reprodução

 

 

 

 

 

Curiosidades:
 

 

  • De 1870 a 1920, o Brasil recebeu cerca de 1,5 milhão de imigrantes italianos. Só para o Estado de São Paulo vieram 965 mil, ou seja, quase 70% do total.

  • De acordo com dados da biblioteca do Memorial do Imigrante, de 1880 a 1889 o Estado de São Paulo recebeu 144.654 italianos. Só em 1888 vieram para o Estado 91.826 imigrantes, destes, 80.749 italianos.

  • Em 1889 já se falava em excesso de imigrantes no País.

  • Em 1890, a cidade de São Paulo registrou a chegada de aproximadamente 64 mil imigrantes da Itália.

  • Durante a Segunda guerra (1939 a 1945) o governo italiano suspendeu a imigração subsidiada

  • No início do século, circulavam em São Paulo quatro jornais em italiano.

  • Acredita-se que houve um tempo em que o idioma mais falado em São Paulo era o italiano.

  • Estima-se que ainda hoje São Paulo possua a terceira maior colônia italiana, depois de Nova York e Buenos Aires.

  • Dados de 2000 da Embaixada da Itália apontam a presença de 25 milhões italianos e descendentes no Brasil.

  • O Estado de São Paulo abriga hoje 6 milhões italianos e descendentes, segundo estimativa do Consulado Italiano

  • PERSONAGEM

    Conde Matarazzo
     
    (1854 - 1937) Francisco Matatarazzo nasceu em 9 de março de 1854 na cidade de Castelabate, na província de Saterno, no sul da Itália. O mais velho dos filhos do médico Costábile Matarazzo precisou parar de estudar para trabalhar, quando o pai faleceu em 1873.
    Em 1881, já casado e com dois filhos, decide-se mudar com a família para o Brasil . Traz algum dinheiro e uma partida de queijos e vinhos, que se perde quando o barco afunda no porto.
    Ele nunca revelou quantas liras trouxe, apenas dizia que era "um milhar". Com o dinheiro que veio no bolso, inicia seus negócios, abrindo uma casa comercial em Sorocaba, na época um dos principais pólos comerciais do Estado.
    Matarazzo percebe a demanda por banha e decide investir na compra de porcos, mesmo não tendo terras para criá-los. Deixava os animais com fazendeiros antes de vendê-los aos fabricantes de banha. Logo seu patrimônio cresceu e ele decidiu montar sua própria fábrica.
    Em 1890 traz da Itália seus irmãos Giuseppe e Luigi, com os quais cria a empresa Irmãos Matarazzo, com filiais em São Paulo e Porto Alegre. Eles dedicavam-se à importação.
    Pouco depois, com um empréstimo de 600 contos de réis do London and Brazilian Bank compra na Inglaterra equipamento de moagem de trigo e passa a fabricar aqui a farinha que antes importava.
    Embora morasse no Brasil, Francisco Matarazzo visitava a terra natal e em 1917 recebeu do rei Vitório Emanuel III o título de Conde.
    Em 1928, ao lado de Roberto Simonsen, fundou o Centro das Indústrias de São Paulo, do qual foi o primeiro presidente.
    Ao completar 80 anos, em 1934, o Conde Matarazzo tinha um dos 500 maiores grupos empresariais do mundo: um império de 365 indústrias que fabricavam da banha até pregos, passando por papel e açúcar.
    As indústrias Reunidas F Matarazzo empregavam com 30 mil funcionários e alcançavam faturamento bruto mensal de 350 mil contos de réis, enquanto a receita do Estado era de 400 mil contos de réis.
    O Conde Francisco Matarazzo morreu em 1937, deixando o império seus os 12 filhos vivos, dos 13 que teve. O comando das indústrias ficou com o quinto filho homem, Francisco Matarazzo II, conhecido como Conde Júnior ou Chiquinho.
    O grupo não resistiu ao pós-guerra, às crises do mercado brasileiro e aos problemas de sucessão e, ao longo dos anos, boa parte do patrimônio da família foi vendido.

     

    FONTE : Para saber mais consulte

     www.estadao.com.br/450/historia13

     

     

    CAROLINA MARTINELLI MASSARO

    Para o Estadão nos 450 anos de São Paulo

    07 de agosto de 2004

    Material de Apoio - Textos


     

     

     

    SÃO CARLOS HISTÓRICO:
    A CHEGADA DA FERROVIA

    Em 04 de outubro de 1880, o governo imperial autorizava a construção da companhia de estrada de ferro que ligaria São Carlos ao terminal da via férrea que chegava até Rio Claro.

    As plantações de café da região estavam em pleno desenvolvimento e o preço desse produto no mercado externo alcançava cada vez mais resultados favoráveis. Era necessário que se apressasse a chegada do café dos fazendeiros sãocarlenses ao porto de Santos. A solução mais adequada para o momento era a ferrovia estender-se até a nossa região.

    As companhias inglesas dominavam a construção das ferrovias e o alto custo desse empreendimento fez com que ficássemos submetidos a elas. Em 06 de setembro de 1865, a primeira locomotiva chegava oficialmente à São Paulo.

    Em 1867 a ferrovia chegava até Jundiaí, que passou a ser a principal cidade para onde o café sãocarlense era transportado (no lombo de animais), para chegar até o porto de Santos.

    Em 1872 era a vez de Campinas ser alcançada pela ferrovia, mas dessa vez pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro e Comunicações Fluviais, empresa genuinamente brasileira e paulista. Em agosto de 1876 a estrada chegava a São João do Rio Claro (atual cidade de Rio Claro), a apenas dez léguas de nossa cidade, o que facilitou em muito o trajeto de nosso produto até Santos.

    Já nesse momento os cafeicultores sãocarlenses pretendiam que a ferrovia chegasse até nossa cidade.

    "... a imaginação sãocarlense se deliciava em esperanças de que, pouco mais tarde, o estridente sibilar da locomotiva impeliria a carreiras vertiginosas os veados e as emas dos campos do Feijão." (1)

    Em edição extraordinária a Câmara Municipal se reunia em março de 1876 para representar junto ao Imperador a conveniência do prolongamento dos trilhos até São Carlos, dentro de um projeto de ligação com Mato Grosso, passando por Santana do Parnaíba.

    Mas os dirigentes da Companhia Paulista tinham a intenção de que a ferrovia passasse por grandes centros produtores de café: os vales do rio Tietê e do Mogi; as cidades de Jaú e Ribeirão Preto. Eram terrenos de acesso quase plano, facilitando a implantação da ferrovia, com menos custos e tendo prosseguimento para o interior. Ao passo que a cidade de São Carlos estava localizada na escarpa do planalto, de acesso difícil e também não existia interesse, por parte dos dirigentes da Companhia Paulista, em atingir o Mato Grosso, o que fazia dessa obra muito onerosa e sem interesse econômico.

    Para os cafeicultores sãocarlenses, principalmente Antônio Carlos de Arruda Botelho - futuro Conde do Pinhal, era uma questão de sobrevivência que a ferrovia chegasse até São Carlos, prevendo que se isso não acontecesse a cidade ficaria à margem do progresso.

    Antônio Carlos de Arruda Botelho também tinha interesse pessoal que a ferrovia chegasse até São Carlos, por ser o principal produtor de café e possuidor grande extensão de terras nessa região. Assim sendo, sabendo que teria um grande lucro com o café e uma grande valorização de suas terras, empenhou-se nesse projeto de forma integral.

    Com o ajuda em forma de capital de outros fazendeiros da região, amigos e homens influentes da época, Antônio Carlos de Arruda Botelho conseguiu constituir a Companhia de Estrada de Ferro de Rio Claro, cuja carta de concessão foi outorgada pelo Governo Imperial em 04 de outubro de 1880.

    Além da ligação com o terminal ferroviário da Paulista em Rio Claro, obtinha o privilégio de estender seus trilhos até Araraquara e Jaboticabal e de atender, futuramente, as regiões de Brotas, Dois Córregos e Jaú. Assim, a Paulista fica na dependência da nova ferrovia, sendo impedida de prosseguir com seus planos de atingir, por contra própria, tanto Jaú como Ribeirão Preto.

    Vale ressaltar que o trajeto originalmente feito pela Companhia de Estrada de Ferro de Rio Claro passava por terras do tenente coronel Antônio Carlos de Arruda Botelho - Barão do Pinhal (título de nobreza concedido pelo Imperador em 1880). Esse empreendimento valeu ao então Barão do Pinhal e futuro Conde muito prestígio econômico e político.

    Em 15 de outubro de 1884, a ferrovia chega oficialmente a São Carlos em grande festa.

    "Era São Carlos saudando a chegada do progresso no século das luzes à terra de São Carlos Borromeu, graças, exclusivamente, à decisão e à capacidade de seus filhos." (2)

    Em meados de 1888, a Companhia Paulista mostrou interesse em adquirir a recém inaugurada linha, mas a proposta feita pela Companhia Rio Claro não foi aceita. No mês seguinte o Conde do Pinhal venderia a Companhia a um grupo de capitalistas ingleses e três anos depois a Companhia Paulista, reconhecendo seu erro, viria a comprar a Companhia Rio Claro dos ingleses por um preço muito maior do pedido pelo Conde do Pinhal.

    A cafeicultura foi grande responsável pela urbanização da cidade de São Carlos e com a chegada da ferrovia essa urbanização de intensificou.

    A ferrovia do complexo cafeeiro desempenhou papéis importantes: impulsionou a urbanização, possibilitou a viabilização e a ampliação da acumulação capitalista da região e do país. Isso torna-se evidente:

    "...pelas repercussões da implantação da ferrovia sobre a urbanização desse núcleo - contribuindo para a dinamização econômica da região e da cidade, facilitando o deslocamento populacional e gerando atividades urbanas dela decorrentes..." (3)

    A localização da estrada de ferro no alto da terceira colina, levou até lá a urbanização. Estenderam-se até o pátio da estação as ruas General Osório, Bento Carlos (então Rua da Victória) e de Santa Cruz. Foram abertas simultaneamente as ruas paralelas à Rua S. Carlos: Conselheiro José Bonifácio, Aquidabam, Riachuelo e Visconde de Inhaúma.

    (1) BRAGA, C. C. S. Contribuição ao Estudo da História e Geografia da Cidade e Município de São Carlos. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro. p. 187.

    (2) NEVES, A. P. São Carlos - Na Esteira do Tempo.

    (3) DEVESCOVI, R. C. B. Urbanização e Acumulação - um estudo sobre a cidade de São Carlos. Arquivo de História Contemporânea - UFSCar. 1987. p. 36-37.


     

    Texto: Historiadora Rita de Cássia de Almeida

    Fonte: http://educar.sc.usp.br/biologia/textos/m_a_txt7.html

     


    Bibliografia Recomendada

    DEVESCOVI, R. C. B. Urbanização e Acumulação: Um estudo sobre a cidade de São Carlos. Arquivo de História Contemporânea. São Carlos, UFSCar, 1987. (monografia)

    NEVES, A. P. N. São Carlos na Esteira do Tempo - Álbum comemorativo do centenário da ferrovia. São Carlos, 1984.

    SÃO CARLOS - HISTÓRIA. Instituto de Ciências Matemáticas de São Carlos.

    TRUZZI, O. Café e Indústria - São Carlos: 1850 - 1950. Arquivo de História Contemporânea. São Carlos, UFSCar, 1986. (monografia)

     

     

    ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

    A História do Brasil e da imigração, tem muito a ver com as histórias das estações ferroviarias no Brasil. É uma ótima fonte de pesquisa

    http://www.estacoesferroviarias.com.br/

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